Câmara vai ao Graciliano Ramos debater melhorias à comunidade

A sessão da Câmara Municipal de Maceió mudou de sede na manhã desta quarta-feira (05). Isso porque o Conjunto Graciliano Ramos, no bairro Tabuleiro do Martins, foi o palco da primeira sessão itinerante do ano, uma iniciativa do parlamento municipal que tem levado os vereadores a discutir, na própria comunidade, as mais diversas reivindicações de moradores da capital, sobretudo de bairros da periferia de Maceió.

A referida sessão foi uma proposição do vereador Ricardo Barbosa (Psol), sendo aprovada por unanimidade em sessão ordinária. Na oportunidade, Barbosa parabenizou ‘a sensibilidade política e social do presidente do Legislativo, vereador Eduardo Holanda (PMN), que não mediu esforços para que esta sessão ocorresse’. “Este deveria ser o verdadeiro parlamento, ouvindo as queixas da comunidade na própria comunidade, onde o povo arregaça as mangas para tentar solucionar os problemas que o afligem”, comentou o vereador, referindo-se ao projeto ‘Manhãs de Sol’, em que Barbosa vai aos bairros para se reunir com lideranças comunitárias.

“Infelizmente, a prática assistencialista de alguns políticos se tornou um mal necessário, já que, sem ela, a situação de muitas comunidades carentes como esta estaria bem pior”, emendou o vereador, criticando o fato de o Executivo ‘sempre argumentar não haver recursos para a execução de serviços básicos’. “Noventa por cento de meus requerimentos ainda não foram atendidos”, afirmou.

Com a palavra, o vereador Francisco Holanda (PP) destacou ações da Prefeitura de Maceió, ‘inclusive em comunidades adjacentes ao Graciliano Ramos, como o Village Campestre’. “Mas reconhecemos ser necessário muito mais”, admitiu o vereador, sendo complementado pela vereadora Tereza Nelma (PSB), que discorreu sobre os maiores problemas da comunidade. “A questão do saneamento básico é o principal. Os moradores não podem continuar à mercê das chuvas”, comentou a vereadora. “Muitos chegam a dizer que sessões como esta nada resolvem, mas nós estamos a fazer o nosso papel. E para provarmos o contrário, proponho a elaboração de um requerimento conjunto a ser encaminhado ao prefeito Cícero Almeida (PP)”, emendou.

Em seguida, foi a vez de a vereadora Rosinha da Adefal (PTdoB) louvou iniciativa de Tereza Nelma, ‘porque unidos teremos mais força’, assegurando a eficácia das sessões itinerantes da Câmara. “Ano passado, fomos à Adefal [Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas] no ano e conseguimos avanços, como a instalação de mais de trinta sinais sonoros em Maceió, beneficiando assim o portador de deficiência auditiva”, recordou a vereadora.

Na sequência, o vereador Galba Novaes (PRB), líder do prefeito na Câmara, lembrou que a responsabilidade por saneamento é do Governo do Estado, reportando-se às ações da Prefeitura na comunidade. “A Prefeitura está retirando parte do asfalto das avenidas Fernandes Lima e Durval de Góes Monteiro para pavimentar vinte quilômetros de ruas na parte alta da cidade, onde o Graciliano também será contemplado”, comentou o vereador.

Queixas

Já o presidente da Associação dos Moradores do Graciliano Ramos, Edivaldo Aurélio dos Santos, louvou a iniciativa da Câmara de Maceió. “Precisamos, de fato, que se dispense uma maior atenção à questão do saneamento, para que possamos extinguir os alagamentos de ruas do conjunto, pois, quando chove, a água costuma descer com muita força, vindo de conjuntos como o Aracauã e Parque das Árvores”, desabafou Edivaldo.

Já o presidente Eduardo Holanda, quando questionado por morador do conjunto sobre a possibilidade de se isentar a cobrança de IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano], explicou não caber à Câmara legislar sobre o tema, ressaltando, contudo, que a Prefeitura tem conferido descontos aos contribuintes, revertendo o pagamento em ações em prol das comunidades. “Nós temos trabalhado. Emendas dos deputados federais Carlos Alberto Canuto e Francisco Tenório, que é do meu partido, o PMN, garantirão as obras de saneamento no conjunto”, destacou.

A sessão contou ainda com a participação de uma professora de escola pública da região, que discorreu sobre a violência no conjunto que já teria, segundo a associação, cerca de 120 mil habitantes. “As drogas estão roubando nossos alunos, que, por sua vez, encontram dificuldade, todos os anos, para se matricularem, já que temos apenas quatro escolas, sendo duas municipais, tentando abraçar cinquenta mil estudantes”, desabafou.

Outros temas abordados trataram da deficiência na prestação de serviços como o de iluminação e transporte público em localidades como o Aracauã, condomínio que não estaria incluso no Programa Saúde da Família (PSF), conforme denúncia de outro morador.

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