Dudu volta a cobrar a transferência da Braskem para Marechal

O deputado estadual Dudu Hollanda (PSD) voltou a utilizar a tribuna da Assembleia Legislativa de Alagoas para, durante a sessão ordinária do dia 27 de abril, cobrar a transferência da Braskem para o pólo cloro químico do município de Marechal Deodoro, em razão dos riscos que a empresa representa à população da capital. No plenário, Dudu classificou a indústria como uma “bomba atômica” instalada em Maceió, impedindo o crescimento da região Sul e comprometendo o meio de sobrevivência de centenas de famílias que sobrevivem da pesca.

Na oportunidade, Dudu leu notícia acerca do registro de um suposto vazamento de gás, registrado pela manhã, no bairro da Cambona, e que causou preocupação entre os moradores da região. Aos colegas deputados, o parlamentar assegurou que, enquanto presidente da Comissão de Meio Ambiente do Legislativo Estadual, vai cobrar explicações junto à empresa e seguir cobrando a transferência da mesma para a cidade vizinha.

“No mandato passado, integrei comissão que fiscalizou um vazamento de gás que atingiu as comunidades do Pontal da Barra, Trapiche, Vergel, Ponta Grossa e Bom Parto, além de Coqueiro Seco e Santa Luzia do Norte, municípios da Grande Maceió. Inúmeras pessoas precisaram de atendimento médico no Hospital Geral do Estado. Tenho conhecimento do grande risco que esta bomba atômica representa à população e, portanto, volto a defender a transferência da Braskem, do Pontal para o pólo cloro químico de Marechal, onde ela, inclusive, já possui uma unidade industrial, a fim de que a população não venha a ser prejudicada, assim como a vida marinha, já que nossa lagoa está cada vez mais contaminada, sem que o pescador consiga dela retirar seu sustento”, analisou o parlamentar.

Ainda com a palavra, Dudu também destacou os prejuízos advindos da ausência de investimentos por parte do setor imobiliário, em virtude da presença da Braskem na região. “Esta indústria estagnou o desenvolvimento na região Sul de Maceió, praticamente resumida à pobre vila dos pescadores. São pouquíssimas as edificações. Trata-se de uma localidade esquecida, lembrada somente na época de eleição, mas onde tenho serviços prestados, pois, já conseguimos, com o apoio do poder público, levar vários avanços à comunidade, saneando ruas, perfurando poços e construindo quadras de esporte”, reforçou.

Na ocasião, Dudu acrescentou que vai reunir a comissão de meio ambiente para cobrar os devidos esclarecimentos. “Afinal, também temos a obrigação de fiscalizar. E a transferência não vai prejudicar esta empresa. Defendemos tão somente a transferência. A produção não será afetada. Aqui, se houver uma explosão, centenas de vidas humanas serão ceifadas. Se permitiram que ela aqui se instalasse, ainda em 1976, não podemos aceitar, 41 anos depois, que esta ameaça persista em Maceió, a terra onde nasci e onde fui eleito quatro vezes vereador”, emendou o deputado estadual.

Em aparte, o colega deputado Rodrigo Cunha (PSDB) pediu a palavra para esclarecer que, na verdade, a notícia acerca do suposto vazamento de gás foi desmentida, ainda pela manhã, pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA), que tranqüilizou a população ao afirmar que o vazamento se deu em um cano d’água. No entanto, Dudu Hollanda afirmou manter firme o seu posicionamento.

“Entendo a correção da informação, mas mantenho minha postura contrária, pois, trata-se de uma indústria que mata do animal ao homem. Também fui presidente da comissão de meio ambiente na Câmara de Maceió e, à época, instalamos uma Comissão Especial de Inquérito, mas nunca fui convencido de que a geração de emprego e renda pela Braskem seria capaz de compensar tamanho risco ambiental. Esta empresa é tão danosa que sequer se preocupou em servir à comunidade Alto do Pontal, instalada atrás da unidade que explora o sal-gema. Se não fosse este deputado, que tratou de ajudar os vizinhos da Braskem, a comunidade em questão sequer teria acesso à água potável. Por tudo isso é que insisto: a Braskem precisa sair de Maceió”.

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