Na Assembleia, diretores da TIM questionam relatório da Anatel

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instituída na Assembleia Legislativa de Alagoas com o exclusivo intuito de se investigar a qualidade do serviço prestado pela operadora de telefonia TIM no Estado realizou, no início da noite desta quinta-feira (03), a última oitiva para colheita de informações que deverão compor o relatório final dos trabalhos que tiveram início em julho passado, com prazo de término em 19 de novembro.

Na oportunidade, os deputados integrantes da CPI receberam, no plenário da Casa de Tavares Bastos, dois diretores da TIM: o gestor da área de relação institucional, Leandro Guerra, e o gestor da área de rede da operadora, Charles Davis. Durante mais de duas horas de amplo debate, os gestores buscaram desconstituir relatório de fiscalização concebido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em Arapiraca, em setembro de 2010. Em suma, o referido relatório admite que o investimento por parte da operadora é pequeno para a quantidade de clientes que conquistara, dado o grande fluxo de ligações.

Com a palavra, o gestor de relacionamento institucional, Leandro Guerra, reportou-se ao contexto regulatório para destacar os investimentos que estariam sendo realizados pela TIM em Alagoas, apesar de revelar que a operadora não considera o relatório da Anatel ‘uma verdade absoluta’. “A TIM tem conseguido atender a totalidade dos indicadores nos últimos meses. Além disso, apenas quinze por cento das reclamações dizem respeito à rede”, afirmou o gestor, acrescentando que a TIM teria conseguido reduzir o número de queixas junto ao Procon de Alagoas em 31% no terceiro trimestre.

Guerra também lembrou como empecilho o furto de cabos. “Mesmo que o material não represente valor comercial para o autor do delito, ações do tipo ocorrem frequentemente. Já com relação à interrupção das chamadas, a rede que liga a capital ao interior se dá por linha alugada, motivo pelo qual, eventualmente, ocorrem falhas. Temos pressionado o fornecedor e estamos trabalhando para construir nossa própria rede, o que demanda certo tempo”, explicou o gestor, referindo-se ainda às quedas de energia, ‘que também comprometem o serviço’.

Ainda de acordo com o representante da TIM, mais de 80% das solicitações de link sofrem atraso, ‘até de um ano’, por serem contratadas junto a terceiros. “A região Agreste, de onde partiram as queixas, é muito importante para nós. Sabemos de seu potencial econômico e também por isso estamos investindo em projeto de fibra ótica naquela cidade. Estamos tentando contornar, ainda este ano, a demora para entrega destes links após a contratação, a fim de que possamos ampliar o serviço, com forte investimento na construção de transmissão própria, evitando dependência e morosidade”, comentou Leandro, já em resposta à indagação do deputado Dudu Hollanda (PSD).

Charles Davis, por sua vez, revelou também que, entre 2011 e 2013, a TIM deverá investir R$ 84 milhões em Alagoas. “A operadora é a que mais cresce no país, tendo sido a primeira móvel e líder no Estado. Temos falhas, mas estamos sempre focados em trazer o melhor, acreditando na capacidade do povo alagoano e reafirmando o nosso compromisso com o mesmo”, reforçou.

Novamente com a palavra, Dudu lembrou três datas (5, 6 e 7 de fevereiro) em que a população maceioense enfrentara panes. “Partindo do pressuposto de que a TIM é a maior em operação em Alagoas, e também pelos fatos de se encontrar no mercado há mais tempo e por ser a que mais possui clientes, imaginei que a mesma já estaria alcançando a totalidade das cidades, ao invés das sessenta e quatro atuais. O cidadão continua a pagar pelo que não recebe e é preciso que a empresa invista o necessário”, avaliou o deputado. “Até quando nos usuários continuaremos a conviver com estas distorções?”, questionou.

Leandro Guerra, em resposta ao também líder do PSD na Assembleia, reforçou que a cobertura em cidades do interior do Estado está diretamente relacionada ao aluguel de linhas junto a terceiros. “A esperança é a de que possamos ter este problema resolvido num curto espaço de tempo, já que a Anatel se debruça sobre novo marco regulatório, a fim de que estas empresas sejam obrigadas a cumprir novas exigências”.

Subdimensionamento

Quem também indagou os representantes da TIM foi o relator da CPI, deputado Sérgio Toledo (PDT). Para ele, após a explanação dos gestores, não ficou claro se existe de fato algum tipo de permanente acompanhamento no tocante à qualidade do serviço ofertado.

“Entre agosto do ano passado e fevereiro deste ano, o relatório da Anatel contabilizou cento e trinta e nove mil pessoas afetadas diretamente em Arapiraca, concluindo que há subdimensionamento da estrutura instalada. Portanto, não disponibilizaria condições de suportar a demanda, causando congestionamento e, como resultado, a interrupção das chamadas, além da dificuldade de se efetuar ligações”, descreveu o relator, que indagou os gestores sobre se a TIM adotaria alguma medida para restringir novas contratações, ouvindo um não como resposta.

Segundo Toledo, o usuário, diante de várias interrupções, paga por várias chamadas. Ele lembrou existir, inclusive, um plano da TIM em que, a partir de um minuto, o usuário passa a falar indiscriminadamente, ‘mas que, na prática, não tem funcionado’. Em resposta, Leandro Guerra salientou que ‘falhas podem acontecer’. “Mas elas estão, no nosso entendimento, dentro do patamar normal, não abrangendo todas as chamadas. Já nossos canais de atendimento estão aptos a receber qualquer reclame. Quando procedente, efetuamos o ressarcimento”, assegurou.

Já quando questionado acerca do plano de expansão da operadora, o gestor Charles Davis disse que a TIM já teria investido R$ 23 milhões em 2011. “Cerca de oitenta por cento já foi executado. E em Arapiraca, nossa estrutura hoje é capaz de atender à demanda”, assegurou Davis, apesar de novamente rebatido pelo relator da CPI, que se reportou ao excesso de tráfego, 20% superior (segundo relatório da Anatel) em relação à média.

“A dificuldade de se realizar chamadas continua em Arapiraca. Meu telefone, por exemplo, já passou doze horas sem funcionar. E panes do tipo já ocorreram várias vezes. Não é válido que se busque descaracterizar o relatório da Anatel”, retrucou o deputado Sérgio Toledo.

Também com a palavra, o presidente da CPI, deputado Ricardo Nezinho (PMDB), questionou os gestores presentes, indagando-os sobre se a TIM teria um levantamento acerca dos índices de ressarcimento, na ocasião em que se caracteriza prejuízo ao consumidor.

Na sequência, o gestor Charles Davis, por sua vez, respondeu não possuir tal levantamento, quando o deputado Ronaldo Medeiros (PT), outro membro da Comissão Parlamentar de Inquérito também formada pelo deputado Gilvan Barros (PSDB), revelou que (ao revelar no twitter que estava a debater o tema na Assembleia) ‘choveu reclamação’ em sua página no microblog.

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