Dudu: ‘Explicação de diretores da Braskem não nos convenceu’

A Comissão de Fiscalização e Controle da Assembleia Legislativa de Alagoas esteve reunida nessa terça-feira, 14, com os diretores da indústria petroquímica Braskem. Os representantes da empresa foram ao Parlamento para explicar as causas dos acidentes ocorridos no mês passado e as ações tomadas para conter novos vazamentos, atendendo à solicitação do deputado Dudu Hollanda (PMN) – que tem cobrado, veementemente, respostas no tocante à segurança da população do Pontal da Barra, em Maceió, onde a fábrica está instalada.

Segundo ele, os integrantes da Comissão não ficaram convencidos com as explicações e resolveram realizar uma audiência pública, convidando os representantes dos órgãos ambientais do Estado para que se pronunciem sobre o assunto. A reunião também contou com a participação dos deputados João Henrique Caldas (PTN), Arnon Amélio (PRTB), Maurício Tavares (PTB) e Marcos Barbosa (PPS), além do deputado Sérgio Toledo (PDT), que não integra a comissão, mas que se fizera presente para acompanhar a explanação dos diretores da Braskem.

“Nós nos reunimos em caráter extraordinário, graças à convocação do presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, o deputado Luiz Dantas (PMDB), mas as explicações deles não nos convenceram. Eu, como alagoano, também sou grato à contribuição que a Braskem deu para o desenvolvimento do Estado, mas reconheçamos também o atraso que trouxe a instalação desta empresa para a região sul de Maceió”, argumentou o parlamentar, informando que, durante a reunião, os diretores da petroquímica apresentaram um vídeo mostrando o funcionamento das duas fábricas instaladas no Estado: a fábrica de cloro e soda, em Maceió, e a de PVC, no Pólo Industrial e Cloroquímico de Alagoas, em Marechal Deodoro.

“As informações deixaram a desejar. Nos aspectos produção e lucro eles estão perfeitos. No entanto, quando questionados quanto à questão da segurança da população circunvizinha, não souberam nos explicar o que deve ser feito numa situação de emergência”, afirmou Dudu, acrescentando que os diretores também não responderam sobre as medidas tomadas em prol das 129 pessoas residentes no entorno e que acabaram intoxicadas durante o vazamento de cloro registrado na fábrica.

Os deputados Maurício Tavares, Marcos Barbosa, João Henrique Caldas e Jeferson Moraes (DEM) apartearam o discurso de Dudu e foram solidários ao pronunciamento do colega de plenário. “Agradeço a presença dos que vieram: Marcelo Cerqueira, Álvaro César, Jorge Augusto e Milton Pradines. Mas o sentimento da comissão foi o de que não conseguiram nos convencer. Por isso tomamos a decisão de buscar ouvir representantes dos órgãos ambientais no Estado”, reforçou Dudu, acrescentando que já teve a oportunidade de presenciar vários acidentes durante os 15 anos em que ocupou vaga na Câmara de Maceió.

‘A causa do atraso’

“Reforço que ficamos gratos pelo desenvolvimento econômico e pela geração de emprego e renda que a empresa proporcionou a nossa capital. Mas a Braskem, aqui instalada há trinta e quatro anos, é a causa do atraso da região sul de Maceió”, insistiu o deputado, para quem não apenas o Pontal da Barra está esquecido. “Como destacou o deputado Marcos Barbosa, quase todo o bairro foi tomado pela Braskem. Toda aquela área está cada vez mais desabitada”, comentou Dudu, temendo a proporção de possível acidente em dia de clássico local no Estádio Rei Pelé, com capacidade para quase 20 mil pessoas.

“Isso foi destacado na reunião pelo deputado Maurício Tavares. E eu perguntei aos diretores quanto custaria uma vida. Eles ficaram em silêncio porque a vida de um cidadão maceioense não tem preço”, comparou o deputado, criticando ainda a ‘política de compensação’ da Braskem com o chamado Cinturão Verde. “Eles divulgam aquela pequena área verde como a forma mais moderna de preservação. Mas o deputado Arnon Amélio perguntou, por exemplo, por que naquela região coqueiro não dá coco. Eles responderam que seria consequência da qualidade do solo, o que não é verdade”, alfinetou Dudu.

Ainda de acordo com o deputado estadual, a fábrica não pode continuar a comprometer ‘a maior indústria de Alagoas, que é o turismo’. “Por isso a Braskem precisa ser transferida para Marechal Deodoro. Procurei pessoalmente o prefeito daquela cidade, Cristiano Matheus, que me disse que dará total incentivo para sua instalação no Pólo Cloroquímico. Lá existe uma área adequada para tal. Com isso, qualquer acidente do tipo não atingiria a vida humana. Afinal, são mais de 300 mil habitantes no Pontal da Barra e bairros circunvizinhos, como o Prado e o Trapiche”, salientou.

Colegas apóiam transferência

Em aparte, o deputado Jeferson Moraes se referiu à Braskem como uma ‘bomba relógio’, citando a desvalorização imobiliária causada pela instalação da fábrica naquela região. “É preciso que se analise o quanto de fato a Braskem contribui economicamente. E talvez Maceió seja a única capital brasileira com indústria química numa área urbana”, destacou.

Já o deputado Marcos Barbosa, que também parabenizou Dudu, foi ainda mais enérgico, afirmando que os diretores da Braskem estariam a ‘mangar’ da sociedade. “Esqueceram de dizer que dois funcionários se feriram num segundo acidente. Além disso, eles se reportam aos acidentes como eventos, como se tivessem sido uma festa. E não houve assistência, já que os próprios moradores socorreram os atingidos”, desabafou.

Novamente com a palavra, o deputado Dudu Hollanda ressaltou que continuará sendo ‘um incansável defensor da transferência da Braskem’. “Esta é a minha bandeira de luta. Vou trabalhar durante esses quatro anos de mandato como deputado por Alagoas. Posso não conseguir concretizar meu objetivo em vida. Posso até ser vencido, mas não descansarei. Lutarei com vossas excelências para que possamos resolver este problema”, complementou Dudu, lembrando que todos os quatro hotéis que tentaram se instalar na região do Pontal já fecharam as portas, assim como vários restaurantes e demais estabelecimentos comerciais.

“Digo isso com propriedade porque fui o relator do último Plano Diretor da cidade. Aquela área está aberta para investimentos. Mas os empreendedores têm medo de perder dinheiro. O Governo do Estado, por exemplo, comprou área no Tabuleiro do Martins para a construção do novo Detran, a fim de que um resort fosse instalado onde hoje fica a atual sede do órgão. Mas o negócio parece não estar dando certo por causa daquela bomba atômica que é a Braskem”.

Direção geral

Na mesma sessão, o deputado Dudu Hollanda parabenizou a ‘feliz escolha’ do presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Toledo (PSDB), ao nomear Alberto Sextafeira como diretor-geral da Casa de Tavares Bastos.

“Trata-se de uma pessoa de grande caráter, além de ter sido um grande parlamentar, merecendo o reconhecimento de todos nós”, comentou Dudu, lembrando ter exercido a liderança da Prefeitura na Câmara de Maceió quando o então vice-prefeito Alberto Sextafeira assumira a chefia do Executivo Municipal, quando da ausência da ex-prefeita Kátia Born. “Foi quando pude conhecê-lo melhor, quando vereador por nossa capital”, recordou Hollanda.

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