Dudu troca o PMN pelo PSD de João Lyra e Cícero Almeida

O deputado estadual Dudu Hollanda está mudando de filiação partidária. Isso porque, depois de pouco mais de três anos como membro do Partido da Mobilização Nacional, o PMN, Dudu decidiu, em conversa com o deputado federal João Lyra na manhã desta segunda-feira (25), aceitar o convite que já lhe havia sido feito em reuniões anteriores com o presidente estadual do recém-criado PSD, o Partido Social Democrático.

O deputado argumenta que a mudança é uma forma de retornar a sua origem partidária, visto que já esteve filiado ao PTB do qual João Lyra fazia parte, acrescentando que, desta forma, estará a fazer política com aliados como o prefeito de Maceió, Cícero Almeida – que, por sua vez, também anunciou migrar do Partido Progressista (PP) para o PSD, fundado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

“Quando recebemos a notícia de que o PSD seria presidido em Alagoas pelo deputado João Lyra, e por Cícero Almeida em Maceió, não tivemos dúvidas de que também precisávamos mudar. Afinal, sempre mantive estreita ligação com ambos desde o ano dois mil e três”, comentou o deputado, em entrevista, nesta manhã, ao jornalista Valdemir Rodrigues, dentro do programa Ministério do Povo, da Rádio Gazeta AM.

Dudu Hollanda conta ainda que também esteve reunido com o prefeito Cícero Almeida, a quem garantiu que o acompanharia nesta mudança. “E hoje pela manhã mantive uma conversa muito boa com o deputado João Lyra, que me reforçou o convite para ser o primeiro deputado estadual do PSD em Alagoas. Desta forma, haverei de participar como líder do partido na Assembleia Legislativa, pronunciando-me sobre esta decisão na sessão plenária desta terça-feira (26)”, emendou o deputado eleito em outubro de 2010 com 25.171 votos.

O ex-presidente da Câmara Municipal de Maceió destacou ainda que já dispensa esforços à construção dos diretórios do PSD nos 102 municípios alagoano, trabalhando para atrair novos filiados.

“Fui eleito vereador e deputado estadual pelo PMN, que chegou a ter um deputado federal e doze deputados estaduais. No ano passado, fui o único candidato do partido eleito deputado estadual em Alagoas. Mas o cenário começou a mudar nacionalmente, com muitos correligionários deixando a legenda, a exemplo de Sérgio Petecão, natural do estado do Acre e único candidato do partido eleito para o Senado Federal”, recordou o deputado estadual e quarto secretário da Mesa Diretora da Assembleia, lembrando ainda que deixara o PTB para ingressar no PMN por ter perdido espaço na legenda.

Dudu reforça estar fazendo o mesmo pelo fato de o PSD estar sendo liderado por João Lyra e Cícero Almeida em Alagoas, ‘já que sempre firmamos grandes parcerias, quando éramos filiados ao PTB’. “Deixei o Partido Trabalhista Brasileiro porque tive de buscar uma condição de disputa, ingressando então no PMN. Mas agora vou ajudar na construção do PSD em nosso Estado. Sinto-me muito à vontade porque estou voltando à minha origem partidária”, reforçou Dudu Hollanda, assegurando que a troca não lhe trará qualquer obstáculo no que diz respeito à legislação eleitoral.

“Na opção de um novo partido, pode-se mudar de legenda. Inclusive, o advogado do deputado João Lyra, Fernando Neves, já está nos orientando juridicamente sobre como devemos agir neste momento. Tudo tem começo, meio e fim”, complementou o deputado, sobre o partido que, para ele, ‘já nasce grande’.

Na mesma sessão, Dudu Hollanda também cobrou a adoção, pela Secretaria de Estado da Defesa Social, do modelo de segurança implantado no Rio de Janeiro, com as Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs. “Conheço todos os bairros em que o tráfico de drogas impera, seduzindo as novas gerações. A realidade da capital alagoana é diferente, mas o que lá está sendo feito também funciona em Maceió, desde que haja uma adequação”, comentou o deputado, afirmando ainda que as cobranças feitas ao Conselho Estadual de Segurança Pública ‘já começam a surtir efeito’.

Relembrando

O Partido Social Democrático (PSD) foi fundado em 17 de julho de 1945 e extinto pela ditadura militar, por meio do Ato Institucional Número Dois (AI-2), em 27 de outubro de 1965. Foi formado com o apoio de Getúlio Vargas, reunindo antigos interventores do governo federal nos estados, como Fernando de Sousa Costa, em São Paulo, e Ernâni do Amaral Peixoto, no Rio de Janeiro.

Entre 1945 e 1964, integrou, juntamente com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o chamado bloco pró-getulista, em oposição à União Democrática Nacional (UDN), antigetulista. Durante sua existência, foi o partido majoritário na Câmara dos Deputados, tendo eleito dois presidentes da República: Eurico Gaspar Dutra, em 1945, e Juscelino Kubitschek de Oliveira, em 1955.

Após a extinção do PSD, seus membros se dividiram: uns foram para o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), único partido de oposição à ditadura permitido após a instituição do bipartidarismo com o AI-2; enquanto outros ingressaram na Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido que apoiava o regime instalado em 1964.

O partido ressurgiu na década de 1980, novamente com o número 41, mas não obteve o mesmo sucesso das décadas de 40 e 50, associando-se à bancada ruralista. Sua última eleição foi em 2002. Já em 2003, o PSD foi incorporado ao Partido Trabalhista Brasileiro.

Contudo, políticos dissidentes dos partidos Democratas (DEM) e Progressista (PP) decidiram fundar o homônimo Partido Social Democrático, encabeçado pelo atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que deixou o DEM para dirigir o PSD.

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