Preocupação com a violência: Dudu se reúne com empresários de AL

O deputado estadual Dudu Hollanda (PSD), durante a sessão ordinária desta terça-feira (27) da Assembleia Legislativa de Alagoas, utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa de Alagoas para destacar reunião da qual participara, pela manhã, com proprietários de estabelecimentos comerciais instalados em bairros nobres e na periferia da capital alagoana, externando sua preocupação para com a onde de violência que assola o Estado. Na oportunidade, Dudu voltou a cobrar mais empenho no combate ao crime pelos órgãos de segurança, destacando o temor, pelo cidadão maceioense, de frequentar bares e restaurantes da cidade, ‘o que pode vir a fomentar o desemprego’.

“Um dos empresários com quem conversei me pediu para que eu fizesse este novo apelo ao governador Teotonio Vilela Filho, bem como ao secretário de Defesa Social, Dário César, devido à incidência da criminalidade. E este grupo de empresários contém números atestando que a violência tem prejudicado o setor, vencendo o comércio e o desenvolvimento desta cidade, fazendo com que o consumidor não saia de casa”, afirmou o deputado, destacando o receio de o cidadão frequentar a noite maceioense.

“O medo é latente. O cidadão se preocupa até ao transitar nas ruas do Centro. Isso resulta em perda de receita e poderá culminar, consequentemente, com o fechamento de estabelecimentos comerciais, gerando desemprego e fomentando a própria violência”, emendou Dudu Hollanda, reproduzindo a queixa da classe, para quem o governo estadual ‘precisa, de alguma forma, conter o número de assaltos em Maceió’.

Na ocasião, o deputado estadual ainda comparou Maceió à capital paraibana, lembrando que a população de João Pessoa, que também já conquistara o status de metrópole, não vivencia ‘a violência que aqui se observa’. “Aqui se conseguiu acabar com o domínio pelos coronéis, mas hoje nos deparamos com um novo problema, que precisa de uma solução”, complementou Dudu, destacando a necessidade de a Secretaria de Defesa Social valorizar profissionais como o delegado Flávio Saraiva.

“Trata-se de uma das pessoas mais preparadas na área de segurança pública, mas que, ainda assim, acabou assaltado, juntamente com sua esposa, em um restaurante de luxo no bairro de Ponta Verde”, recordou o também 4º secretário da Mesa Diretora da Assembleia, para quem a violência ‘não pode vencer o consumidor’.

“Sinto-me inseguro em Maceió. Esta violência urbana é fruto do descontrole dos governos, assustando toda a sociedade e limitando a vida como um todo. Além disso, tem-se uma afronta ao artigo 5º da Constituição, que versa sobre o nosso direito de ir e vir”, analisou Dudu Hollanda, que, apesar das críticas, afirmou reconhecer o empenho do Executivo.

‘Brasil Mais Seguro’

Em aparte, o deputado Ricardo Nezinho (PMDB) parabenizou o discurso do colega parlamentar e destacou as ações do programa Brasil Mais Seguro, que, em parceria com o Governo de Alagoas, tenta conter os índices de criminalidade. “Alagoas é piloto do projeto, mas precisamos acreditar que no êxito desta iniciativa. A situação é vergonhosa e em Arapiraca, por exemplo, tem-se, na verdade, uma falsa sensação de segurança. A situação é tão grave que, se um cidadão é assassinado no Sertão alagoano, o corpo permanece no local do crime por mais de 10 horas, à espera da perícia criminal. Além disso, os inquéritos ainda não são apurados a contento”, afirmou Nezinho.

Em novo aparte, o deputado Gilvan Barros (PSDB) destacou o viés social do problema. “O problema também passa pelas áreas consideradas essenciais, como saúde e educação, para as quais só se tem retorno do investimento em longo prazo. Mas é preciso que se diga que o governo federal precisa combater com mais ênfase o tráfico de armas. Os homens da Força Nacional seguem em Alagoas, mas outras ações precisam ser adotadas. Além disso, o cidadão de bem não pode ter uma arma em casa para se proteger. Se o fizer, é processado de imediato”, criticou.

Monitoramento

Na sequência, foi a vez de o deputado Sérgio Toledo (PDT) fazer uso da palavra para engrossar o discurso do presidente em exercício do PSD. “Acabar com a violência é impossível, pois, a mesma é inerente ao ser humano. O tráfico de drogas alcançou patamar desenfreado. Temos de saber que segurança pública não é apenas intenção, mas também ação. Além disso, a segurança precisa de seres humanos qualificados”, comentou o deputado, que criticou ainda o anúncio de sistema de monitoramento da capital pela Prefeitura de Maceió.

“São apenas oitenta câmeras, número que qualquer empresa privada teria condições de instalar. Querem fazer disso um carnaval, quando se tem um faz de conta”, alfinetou o parlamentar, que também citou a preocupação do governo com o sistema prisional, destacando a suposta vulnerabilidade do módulo (pré-moldado) de segurança máxima, bem como a importância de as unidades se localizarem fora dos centros urbanos, já que os mesmos acabam atraindo pessoas ligadas ao crime’.

Em seguida, o deputado Jota Cavalcante (PDT), que presidia a sessão plenária, afirmou que o sentimento de insegurança também preocupa a classe evangélica. “Todas as igrejas da Assembleia de Deus agora encerram seus cultos às 20h. Fui militar por quatro anos e o mais engraçado disso tudo é que não se pode requerer o Exército para policiamento nas ruas. E o Rio de Janeiro não faz parte do Brasil”, indagou o parlamentar, lembrando o fato de, na capital fluminense, a força federal apoiar as ações do governo estadual no combate à violência.

“Enquanto isso, os soldados do Exército Brasileiro são preparados por doze meses para depois serem simplesmente devolvidos à sociedade”, emendou Cavalcante, que viu o colega deputado Marcelo Victor (PTB) emitir opinião contrária, destacando o empenho do Governo de Alagoas. “O governo de Téo Vilela conseguiu encontrar uma equação capaz de fazer funciona a segurança pública, oxigenando a Polícia Militar com várias promoções e mesclando a força de vontade dos mais novos com a experiência de delegados veteranos. É preciso acreditar que este projeto dará certo”, afirmou o parlamentar.

AL x SP

E quem também fez uso da palavra foi o deputado Olavo Calheiros (PMDB), que voltou a criticar o Executivo ao comparar as taxas de violência de Alagoas com as registradas em São Paulo. “Os índices daqui são oito vezes maior, apesar da preocupante situação por que passa São Paulo. E discordo do colega Marcelo Victor, já que o governador Teotonio conseguiu destruir o que existia de estrutura na segurança pública, demorando muito para tentar reestruturar a pasta”, alfinetou o deputado, que criticou ainda a postura da secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki – que, semana passada, recebeu a Medalha do Mérito da República Marechal Deodoro da Fonseca, uma das mais importantes honrarias outorgadas pelo Estado. “Ela fez uso eleitoreiro de suas ações em Alagoas com o plano Brasil Mais Seguro”, denunciou.

Novamente com a palavra, Dudu Hollanda reforçou o posicionamento da maioria dos pares, destacando seguir esperançoso por dias melhores. “E temos trabalhando muito por isso. O povo de Alagoas é um povo decente e não podemos admitir esta cultura de violência, para que possamos garantir um futuro melhor às próximas gerações”, refletiu o deputado, que, aparteando discurso de Joãozinho Pereira, comentou ainda a dificuldade no tocante ao repasse de recursos, oriundos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecoep), para a distribuição de cesta nutricional destinada a gestantes carentes.

“É por isso, por exemplo, que também me posiciono pela partilha dos royalties, a fim de que os municípios menos favorecidos também possam ser contemplados”, concluiu Dudu.

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